terça-feira, abril 03, 2007  




Hoje troquei meu almoço por Cézanne. Dei uma fugida até o Masp, num encontro calmo com quatro de suas obras. Tanta coisa me veio à cabeça. Em lugar de escrever sobre esse pintor que eu amo - o que já foi começado num blog antigo - pensei na relação afetiva que construí com suas obras. Devia ter uns nove anos quando um menino de outra turma mandou um cartão de natal onde dizia, parodiando um poema não me lembro mais de quem, que meu andar era tão bonito quanto o azul de Cézanne. Foi essa a primeira aproximação com o pintor, afetiva, poética, surpreendente, tímida. Fiquei tão emocionada que mal conseguia olhar pra ele, quando as aulas voltaram.
Hoje, anos depois, me vi mais uma vez rendida por seu azul. A pintura em que retrata Mme Cézanne nem era a mais imediatemente interessante do conjunto dos quatro, mas me roubou delicadamente os olhos no período em que estive lá, sentada. A figura com vestido vermelho-pálido transborda luz, num azul de fundo que sai de tudo, do centro da tela, de suas beiradas, das mãos. É um azul que transborda luz. Um azul de alma verde, amoroso, um azul de felicidade.

Meus olhos hoje mudaram de cor para azul Cezanne, e o céu de tarde perdura.

sopro da Estrelinha | 6:56 PM     


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